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Série PDTI vivo · Parte 7 de 17

Tecnologia e Cidades Inteligentes

Segurança da informação na prefeitura: política e riscos

28 out 20265 min de leituraPor Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions

Quem busca segurança da informação na prefeitura costuma querer uma coisa concreta: uma política de segurança da informação, a PSI, para aprovar por decreto. É um bom começo, mas a PSI sozinha é um papel. O que protege o município é a política ligada a um inventário do que precisa ser protegido, a uma classificação dos riscos e a um responsável que acompanhe tudo isso ao longo do tempo.

Este artigo percorre essa cadeia: política, risco, serviço crítico e rotina.

A política ainda falta na maior parte das prefeituras

O Estudo Tecnologia, da Ana Smart Solutions (setembro de 2026), cruzou as respostas dos 644 municípios paulistas ao i-Gov TI, exercício 2024:

  • 55,1% (355 de 644) não têm política de segurança da informação.
  • 65,5% não designaram encarregado de dados pessoais.
  • 78,6% não regulamentaram a Lei de Governo Digital.

Entre os 289 municípios que declaram ter política, as respostas aos quesitos seguintes indicam quanto dela chega à prática, sempre como declaração do município:

Quesito do i-Gov TIDeclaram que sim
Política de backup formalmente obrigatória244 de 289 (84,4%)
Inventário atualizado de ativos de TIC237 de 289 (82,0%)
Identificam riscos de TIC segundo a família ISO/IEC 27000135 de 289 (46,7%)
Plano de continuidade de serviços de TIC135 de 289 (46,7%)

São respostas autodeclaradas. Dizer que existe política de backup não prova que alguma cópia foi restaurada em teste, e a base do estudo mede declaração, e não funcionamento.

O que uma política enxuta costuma cobrir

Não existe modelo único, e o texto deve partir da realidade do município. Como ponto de partida, uma política enxuta costuma tratar de:

  1. Escopo e responsáveis: a quem se aplica, e quem responde por ela.
  2. Controle de acesso: quem acessa o quê, com que perfil, e como se retira o acesso de quem sai.
  3. Backup e restauração: o que se copia, onde fica a cópia, e com que frequência a restauração é testada.
  4. Continuidade: o que fazer quando um serviço crítico para.
  5. Incidentes: como se registra, a quem se comunica e quem decide.
  6. Dados pessoais: ligação com o encarregado e com a LGPD.
  7. Revisão: quando o texto e os riscos são reavaliados.

O Decreto 10.540/2020, que trata do SIAFIC, atribui ao Poder Executivo a definição das políticas de acesso e de segurança da informação aplicáveis aos Poderes e órgãos do ente. Para o município, a política de segurança deixa de ser tema só de TI, já que o sistema contábil serve a todos.

Do risco ao serviço crítico

Uma política só funciona sobre uma lista do que importa. O primeiro passo é um inventário mínimo, que cabe em uma tabela.

Serviço crítico / Processo críticoSistema que o sustentaFornecedor e contratoVencimentoResponsável internoBackup testadoPlano de contingência
Arrecadação
Folha
Saúde
Educação
Atendimento ao cidadão

Preencher essa tabela já é um diagnóstico: as células vazias mostram onde a prefeitura depende de algo que não conhece.

O segundo passo é classificar o risco de cada linha: qual o impacto se o serviço ou o processo parar, qual a probabilidade, e qual o tempo máximo aceitável de interrupção. Uma matriz de riscos referenciada à ISO 27005 e à ISO 31000, com mapa de calor, organiza essa classificação.

As duas normas têm papéis diferentes. A ISO 27005 trata do risco de segurança da informação. A ISO 31000 é mais ampla: vale para toda a organização, e não apenas para a segurança da informação. Por isso o DIRECITY GOV usa a ISO 31000 como base para estruturar todo o Plano Estratégico Diretor de Tecnologia e Cidade, com a ISO 27005 como referência específica para os riscos de informação. O risco de um serviço ou processo crítico parar é tratado com a mesma lógica do risco de qualquer outra frente do plano.

O terceiro passo é transformar o resultado em ações do plano, com dono e prazo: política de segurança, plano de continuidade, designação do encarregado, teste de backup, calendário de vencimentos.

Seis perguntas de autodiagnóstico

Todo prefeito, secretário ou controlador interno pode fazer estas perguntas hoje:

  1. Quais sistemas sustentam os serviços e processos críticos, e quem responde por cada um?
  2. Quando vence cada contrato de tecnologia, e o que acontece no dia seguinte?
  3. Existe política de segurança da informação aprovada e conhecida?
  4. O último backup foi restaurado em teste?
  5. Quem é o encarregado de dados pessoais e o que ele já entregou?
  6. O PDTI vigente está publicado, datado e em execução?

Se três ou mais respostas forem "não sei", a dependência é invisível.

A política e o plano

Um PDTI vivo é o lugar onde política, sistemas, contratos, riscos e responsáveis se encontram. O DIRECITY GOV conduz a elaboração do plano a partir de fontes oficiais, com validação dos envolvidos. Acompanhamento de prazos, riscos e evidências deve ser descrito conforme as funcionalidades documentadas para a versão atual do produto, sem pressupor alertas ou atualizações automáticas não confirmadas.

O risco continua existindo, mas deixa de chegar de surpresa.

O artigo sobre o quanto a cidade depende de tecnologia mostra o tamanho da dependência que essa política precisa proteger.

Perguntas frequentes

O que uma prefeitura precisa para começar a política de segurança da informação?

De um responsável, de um inventário dos sistemas que sustentam os serviços críticos e de uma política enxuta aprovada por ato formal. O texto pode ser curto, desde que tenha dono e revisão.

Qual a diferença entre a ISO 27005 e a ISO 31000?

A ISO 27005 trata do risco de segurança da informação. A ISO 31000 trata da gestão de riscos de toda a organização, e serve de base para estruturar o plano inteiro.

Ter política de backup basta?

Não. A política diz o que deve ser feito. É o teste de restauração que mostra se a cópia funciona.

Fontes

Veja onde o seu município está

Um diagnóstico gratuito mostra os pontos de maior risco e as primeiras ações, com base nos dados do seu município.

Solicitar diagnóstico gratuito Conhecer o DIRECITY GOVLer o Estudo PEDTC

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