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Série PDTI vivo · Parte 12 de 17

Tecnologia e Cidades Inteligentes

PDTI para município pequeno: como fazer com uma pessoa

28 out 20265 min de leituraPor Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions

A maior parte dos guias de plano diretor de tecnologia foi pensada para estruturas que não existem na maioria das prefeituras. Comitês de governança com onze membros, escritórios de projetos, equipes de segurança dedicadas. Funciona em um ministério, mas não em um município de oito mil habitantes onde a tecnologia é uma pessoa, às vezes parte do tempo. Por isso o PDTI para município pequeno precisa ser outro tipo de documento.

Os dados mostram que esse é o caso comum.

PDTI para município pequeno: o retrato dos dados

O Estudo Tecnologia, da Ana Smart Solutions (setembro de 2026), separou os 644 municípios paulistas por porte: 391 pequenos, 212 médios e 41 grandes. Entre os pequenos:

  • 237 de 391 (60,6%) estão no grupo sem setor de TIC declarado ou com até uma pessoa: 143 não declaram setor, um informa explicitamente zero pessoas e 93 informam uma pessoa.
  • 287 de 391 (73,4%) declaram ao tribunal não possuir PDTIC.
  • Entre os que possuem, 26 de 104 (25,0%) estão em faixa B ou superior no IEGM, contra 27 de 287 (9,4%) entre os que não possuem.

Esse último dado é útil para quem é pequeno. A associação entre ter plano e ter melhor desempenho aparece também nos pequenos, com +15,6 pontos percentuais, então não é privilégio de município grande. Também não é causalidade: o plano funciona como marcador de capacidade de gestão, e a capacidade de gestão não depende de tamanho.

O TCE SP mantém, em seu catálogo de boas práticas do IEGM, um vídeo sobre PDTI em municípios de 5 mil a 20 mil habitantes.

O princípio: menos, mas vivo

Um plano de município pequeno deve ser curto, concreto e executável por quem existe. A regra é simples: cada ação precisa caber na semana de alguém.

Um plano de 150 páginas que ninguém lê perde para um de dez ações que alguém executa.

O mínimo viável

Seis blocos bastam para um município pequeno começar.

  1. Dono e vigência: uma pessoa responsável e um período declarado, com início e fim. Esse é o ponto de partida mais barato e o que mais falta.
  1. Inventário enxuto: os sistemas que sustentam serviços e processos críticos, o fornecedor de cada um, o contrato e o vencimento. Uma tabela de uma página.
  1. Segurança básica: uma política de segurança da informação curta, backup com teste de restauração e controle de acessos. Mais da metade dos municípios do estado não tem política de segurança.
  1. Dados pessoais: designação do encarregado e um registro simples das principais operações de tratamento.
  1. Cinco prioridades: não vinte, cinco ações com responsável, prazo e indicador, escolhidas por critério e não por quem pediu mais alto.
  1. Revisão trimestral: uma reunião curta, com um painel de uma página.

Um exemplo de plano enxuto: em Juquiá, município pequeno, o levantamento do Estudo Tecnologia, atualizado em 06/10/2026, localizou um PDTI de nove páginas, datado de 13/03/2024, com período 2024 a 2026. O arquivo localizado não traz ato de aprovação assinado. O estudo conta planos e não os julga, e o caso mostra apenas que um documento curto e datado, com período declarado, existe e pode ser localizado.

Como priorizar com uma pessoa

Quando a equipe é uma pessoa, a pergunta não é "o que seria ideal?", e sim "o que, se faltar, para a prefeitura?" A ordem de prioridade costuma ser:

  1. Continuidade: o que para o serviço se o sistema falhar.
  2. Obrigação: o que o tribunal, a lei ou o concedente exigem com prazo.
  3. Economia: o que evita gasto duplicado ou perda de recurso.
  4. Melhoria: o que melhora o serviço mas pode esperar.

Compartilhar o que não cabe em uma pessoa

Onde a equipe não alcança, a saída é dividir a responsabilidade em vez de ignorá-la. Duas práticas ajudam.

Primeiro, dividir com as secretarias. Cada secretaria nomeia um responsável por seus sistemas e por seus dados. A tecnologia deixa de ser problema de uma pessoa e passa a ser tarefa de cada área.

Segundo, apoiar-se em ferramenta. Quando o plano, o inventário, os riscos e os prazos estão em uma plataforma que lembra e alerta, o peso sobre a memória de quem opera diminui. Para o município pequeno, a ferramenta cobre parte do que um município grande resolve com equipe.

O que não fazer

Não contrate um plano gigante. O documento extenso entregue a um município de duas pessoas tem poucas chances de ser executado.

Não copie o plano de uma capital. A estrutura de governança de uma capital pressupõe pessoas que o município pequeno não tem.

Não espere a estrutura ideal. O plano mínimo hoje vale mais que o plano completo que nunca começa.

Perguntas frequentes

Quantos municípios pequenos têm zero ou uma pessoa em tecnologia?

237 dos 391 municípios pequenos paulistas, 60,6%, estão no grupo sem setor de TIC declarado ou com até uma pessoa: 143 não declaram setor, um informa explicitamente zero pessoas e 93 informam uma pessoa.

Qual o mínimo viável de um PDTI para município pequeno?

Seis blocos: dono e vigência, inventário enxuto, segurança básica, dados pessoais, cinco prioridades e revisão trimestral.

Município pequeno com PDTIC tem nota melhor no IEGM?

Há associação: 25,0% dos pequenos com PDTIC estão em faixa B ou superior, contra 9,4% dos sem PDTIC. Não é causalidade, e o plano funciona como marcador de capacidade de gestão.

Fontes

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