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Série PDTI vivo · Parte 4 de 17

Gestão Pública e Compliance

Plano diretor de TI do município: 7 sinais de alerta

28 out 20265 min de leituraPor Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions

Abra o PDTI de muitas prefeituras e você encontra o mesmo capítulo central: uma lista de coisas a comprar. Servidores, computadores, licenças, links de internet, um sistema novo, um módulo a mais. A lista costuma ser longa, bem formatada e sem dono.

Tudo isso é necessário, mas um plano diretor de TI do município que só enumera equipamento e software parte de uma premissa que os dados não sustentam: a de que o problema é falta de ferramenta.

O município tem ferramenta e não tem governança dela

O Estudo Tecnologia, da Ana Smart Solutions (setembro de 2026), cruzou as respostas dos 644 municípios paulistas ao i-Gov TI, exercício 2024:

  • 98,9% (637 de 644) têm software de gestão de processos.
  • 97,0% (625 de 644) oferecem serviço online.
  • 55,1% (355 de 644) não têm política de segurança da informação.
  • 78,6% (506 de 644) não regulamentaram a Lei de Governo Digital.
  • 65,5% (422 de 644) não designaram encarregado de dados pessoais.

A prefeitura compra mais do que governa. Um plano de compras acrescenta itens ao inventário e deixa as perguntas sem dono como estavam. Sete sinais mostram se o seu plano é uma lista de compras.

Os sete sinais no plano diretor de TI do município

  1. O plano não diz quem é o dono. Não há responsável pelo plano nem ato que designe a equipe. Sem dono, não há quem cobre execução.
  1. Não tem vigência datada. O documento não informa quando começa e quando termina, e não permite afirmar que estava vigente no exercício avaliado pelo tribunal. O quesito 2.0 do i-Gov TI distingue o plano com metas de até dois anos do plano com metas acima de dois anos, e para isso a vigência precisa estar escrita.
  1. Descreve ativos, não necessidades. O inventário lista o que a prefeitura possui, e não o problema que cada secretaria precisa resolver. Compra-se o que está velho, não o que faz falta.
  1. Não prioriza com critério. Todas as demandas têm o mesmo peso ou a prioridade é a que o último secretário pediu. Uma matriz simples, como a GUT, que combina gravidade, urgência e tendência, já organiza a fila.
  1. Ignora segurança, continuidade e dados pessoais. O plano trata de máquinas e esquece quem responde pela segurança, o que acontece se o sistema parar, e quem é o encarregado. Mais da metade dos municípios não tem política de segurança da informação.
  1. Não se liga ao orçamento. As ações não aparecem no plano de contratações anual e não têm fonte de recurso. Sem isso, o plano fica como desejo.
  1. Não prevê revisão. Não há rotina de acompanhamento nem critério para atualizar. O plano começa a envelhecer no dia em que é entregue.

Sobre os sinais 2 e 7, o guia federal traz uma referência objetiva de vigência e de revisão.

O PDTIC deve ter vigência mínima de dois anos com revisão anual.

Fonte: Secretaria de Governo Digital, página sobre PDTIC do Guia do Gestor do SISP, que cita a Portaria nº 778/2019, art. 6º, inciso VI, alterada pela Portaria nº 18.152/2020. Consulta em 06/10/2026.

Limite da fonte: a regra é dirigida aos órgãos do SISP, na administração federal, e nenhuma lei federal obriga o município a ela, por força da autonomia federativa (Constituição, artigos 1º, 18 e 30). O Guia de PDTIC do SISP, porém, é referência de boa prática para todos os municípios, que o utilizam por adesão voluntária. Para que tenha força obrigatória local, o município pode adotá-lo por decreto municipal. A Lei 14.129/2021, de Governo Digital, alcança os demais entes federados na medida em que adotarem seus comandos por ato normativo próprio (artigo 2º). A fundamentação para essa adoção, e os casos em que há recurso federal, está no artigo sobre PDTI e a Lei 14.133.

Como corrigir, sinal por sinal

SinalCorreção
1. Sem donoNomear responsável e comitê com as secretarias, por ato formal
2. Sem vigênciaDeclarar início e fim e publicar o documento em local acessível
3. Ativos em vez de necessidadesComeçar o inventário pelas secretarias e pelos problemas a resolver
4. Sem priorizaçãoAplicar matriz de priorização e registrar o resultado
5. Sem segurança e dadosIncluir política de segurança, continuidade e encarregado como ações do plano
6. Sem orçamentoLigar cada ação ao plano de contratações anual ou a uma fonte de recurso
7. Sem revisãoDefinir ciclo: trimestral para o painel, anual para o plano

O limite deste teste

Estes sinais servem para auditar o seu próprio plano. Eles não são uma pontuação de qualidade, e o estudo não os usa para ranquear municípios. A leitura correta de um item "não evidenciado" é ausência de comprovação no documento consultado, e não inexistência da prática na prefeitura.

O que torna o plano vivo

Os sete sinais pedem rotina, e rotina pede ferramenta. Quando o plano vive em uma plataforma que registra dono, prioridade, projeto, prazo, evidência e orçamento, cada sinal se resolve como parte do trabalho normal, e não como mutirão de fim de mandato.

Perguntas frequentes

O que um plano diretor de TI deve ter além de uma lista de compras?

Dono, vigência datada, necessidades por secretaria, priorização com critério, segurança e continuidade, ligação com o orçamento e rotina de revisão.

Como priorizar as demandas de tecnologia?

Com uma matriz simples, como a GUT, que combina gravidade, urgência e tendência, e com registro do resultado.

Quantos municípios não têm política de segurança da informação?

No estudo, 55,1% dos 644 municípios paulistas (355) declaram não ter política de segurança da informação.

Fontes

  • Estudo Tecnologia, Ana Smart Solutions, setembro de 2026, com base nas respostas ao i-Gov TI, exercício 2024, exportação oficial do TCE SP.

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