Municípios que declaram possuir PDTIC têm, em média, desempenho melhor no IEGM do que os que declaram não possuir. A frase é simples, mas os números por trás dela mostram mais do que ela diz. Este artigo apresenta os dados do Estudo Tecnologia, da Ana Smart Solutions (setembro de 2026), e diz com cuidado o que eles autorizam concluir.
A base
O i-Gov TI é a dimensão de governança de tecnologia do IEGM, e o TCE SP mantém um catálogo de boas práticas sobre os seus quesitos. O estudo trabalhou com os 644 municípios paulistas jurisdicionados ao TCE SP, com dados do IEGM 2025, exercício 2024, e das respostas ao questionário i-Gov TI. A distribuição por faixa do IEGM geral é: nenhum município na faixa A, 3 em B+, 97 em B, 261 em C+ e 283 em C. Ou seja, 84,5% estão em C ou C+.
Pelo porte, são 391 municípios pequenos, 212 médios e 41 grandes.
IEGM i-Gov TI e PDTIC: o resultado
O estudo comparou a proporção de municípios em faixa B ou superior entre os que declaram possuir PDTIC e os que declaram não possuir.
| Porte | Com PDTIC em B ou B+ | Sem PDTIC em B ou B+ | Diferença |
|---|---|---|---|
| Total (644) | 61 de 236 (25,8%) | 39 de 408 (9,6%) | +16,3 pontos percentuais |
| Pequeno | 26 de 104 (25,0%) | 27 de 287 (9,4%) | +15,6 pontos |
| Médio | 23 de 106 (21,7%) | 12 de 106 (11,3%) | +10,4 pontos |
| Grande | 12 de 26 (46,2%) | 0 de 15 (0,0%) | +46,2 pontos |
A diferença é estatisticamente significativa no total, nos pequenos e nos grandes, pelo teste exato de Fisher. Nos médios, o valor de p é de 0,063, no limite. A associação sobrevive à estratificação por porte.
O que isso não prova
Associação não é causalidade. O estudo é transversal, de um único exercício, e a explicação mais simples para o resultado é causa comum: a prefeitura que consegue produzir, aprovar, publicar e manter vigente um plano tende a conseguir também organizar o restante da gestão, porque tudo isso consome a mesma pessoa, o mesmo dado e a mesma rotina de evidência.
A formulação defensável é que o PDTIC funciona como marcador de capacidade de gestão. Escrever um plano não eleva a nota por si. Municípios com capacidade de gestão escrevem planos, e também têm notas melhores.
Um dado reforça essa leitura. Entre os 124 municípios com i-Gov TI A ou B+, 77 (62,1%) seguem com IEGM geral em C ou C+, contra 89,8% entre os demais. A governança de TI está associada a 27,7 pontos percentuais a menos de municípios em C ou C+, e ainda assim dois terços dos melhores em TI seguem sem efetividade. É uma condição que ajuda e não basta.
Por que a tecnologia pesa no IEGM
Uma parte grande do índice depende de tecnologia. O estudo calculou que 47,3% da pontuação do IEGM é tecnologicamente mandatória, e 83,9% quando se soma a que é apenas habilitadora, restando 16,1% de pontuação não tecnológica. Por dimensão, a parcela mandatória é:
| Dimensão | Parcela da pontuação tecnologicamente mandatória |
|---|---|
| i-Fiscal | 89,5% |
| i-Plan | 71,5% |
| i-Saúde | 62,7% |
| i-Gov TI | 59,5% |
| i-Educ | 41,1% |
| i-Cidade | 5,0% |
| i-Amb | 3,0% |
Além disso, 40 quesitos das sete dimensões têm a regra oficial de escrever XYZ quando a informação não está na internet. Ou seja, a publicação na internet é parte do que o questionário verifica.
O que fazer com isso
Há três conclusões práticas.
- O plano é necessário e insuficiente. Ele organiza, mas não executa. A nota depende da execução e da evidência.
- A evidência precisa estar publicada. No relatório de 29/09/2026, 48 de 644 municípios (7,5%) passaram pela cadeia completa de verificação do estudo: identidade, vigência e documento próprio. No levantamento do Estudo Tecnologia, atualizado em 06/10/2026, 111 de 644 (17,2%) têm documento elegível, e 186 de 644 (28,9%) têm algum documento confirmado. Inferência: mesmo assim, 533 de 644 (82,8%) ficam fora da elegibilidade estrita.
- O plano precisa estar ligado às dimensões do índice. Um PDTI que não se conecta ao i-Plan, ao i-Fiscal e ao i-Saúde é um documento de TI. Um PDTI vivo é uma ferramenta de gestão do índice.
O DIRECITY GOV busca informações oficiais do IEGM para apoiar o diagnóstico e a elaboração do plano. Os achados são apresentados aos envolvidos para validação e podem orientar prioridades e evidências. A plataforma não prevê nem garante a nota futura do município.
Como o estudo considera um plano
O levantamento documental do estudo usa camadas, e cada número vem com a data de corte. É elegível o plano que é documento próprio do município, com identidade confirmada e vigência que cobre 2024, inclusive o plano publicado em Diário Oficial, veículo oficial de publicidade dos atos da administração. É considerado o plano elegível somado ao plano posterior ao ano-base, quando o município tem plano mais novo, e ao plano sem período declarado, quando não foi encontrada a vigência. Plano encerrado antes de 2024 não conta como vigente, e município sem plano ou com documento que não é PDTI também não conta. Município sem documento localizado fica como "não localizado pelo método", o que não prova a ausência do plano. Os números mudam conforme o levantamento avança, e por isso a data de corte acompanha cada um.
O que o estudo não faz
O estudo conta planos, mas não os julga. Nenhum ranking por aderência a checklist foi publicado, porque o escore de aderência não mede qualidade de plano. A frase "o município X tem um plano de 100%" não tem base, e o estudo não a usa.
Perguntas frequentes
Ter PDTIC melhora a nota do IEGM?
O estudo mostra associação, e não causalidade. Municípios com PDTIC têm 25,8% em faixa B ou superior, contra 9,6% entre os sem PDTIC. O PDTIC funciona como marcador de capacidade de gestão.
Quanto da nota do IEGM depende de tecnologia?
Segundo o estudo, 47,3% da pontuação é tecnologicamente mandatória, e 83,9% quando se soma a que é apenas habilitadora.
Quantos municípios paulistas declaram ter PDTIC?
236 dos 644: 170 com metas acima de dois anos e 66 com metas de até dois anos.
Fontes
- Estudo Tecnologia e Estudo IEGM, Ana Smart Solutions, setembro de 2026, com base na exportação oficial de respostas e no IEGM 2025, exercício 2024, do TCE SP. Teste exato de Fisher bilateral por porte.
- TCE SP, catálogo de boas práticas do IEGM, i-Gov TI: PDTI.