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SIAFIC: o que é, o que a lei exige e como saber se sua cidade cumpre

Atualizado em outubro de 2026, com dados do IEG-M 2025, exercício 2024 · Autor: Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions

O sistema único de orçamento, finanças e contabilidade que toda prefeitura deve usar desde 2023, como ele aparece no IEGM sem ser nomeado e o que as respostas de 644 municípios paulistas revelam.

SIAFIC é o Sistema Único e Integrado de Execução Orçamentária, Administração Financeira e Controle. É o sistema, mantido pelo Poder Executivo e usado por todos os Poderes e órgãos do ente, em que se registram orçamento, receitas, despesas, patrimônio e contabilidade. O padrão mínimo de qualidade está no Decreto Federal nº 10.540/2020, em vigor desde 1º/1/2023.

O que é o SIAFIC

O SIAFIC não é um sistema do governo federal a que o município adere. É um tipo de sistema que precisa cumprir um padrão mínimo de qualidade. Cada ente contrata ou desenvolve o seu.

Duas palavras explicam tudo. Único: uma só base de dados, compartilhada por Prefeitura, Câmara e demais órgãos, sendo vedado ter mais de um SIAFIC no mesmo ente, mesmo que os sistemas troquem dados entre si. Integrado: o SIAFIC conversa sem intervenção humana com os sistemas de folha, tributos, patrimônio, compras e dívida ativa.

Tesouro Nacional, aula da Escola Paulista de Contas Públicas do TCESP, 23/05/2025. O SIAFIC é um tipo de sistema, com requisitos mínimos de qualidade, e não um sistema nacional a que o município deva aderir.

Leia: O que é SIAFIC

O que a lei exige

A exigência de sistema único não nasceu em 2020. Está na Lei de Responsabilidade Fiscal desde a Lei Complementar nº 156/2016, que determina que todos os Poderes e órgãos usem "sistemas únicos de execução orçamentária e financeira, mantidos e gerenciados pelo Poder Executivo". O Decreto nº 10.540/2020 detalha como esse sistema deve funcionar.

27/05/2009 Lei Complementar nº 131/2009 Altera a LRF e cria a obrigação de transparência em tempo real e de sistema integrado com padrão mínimo definido pela União.
27/05/2010 Decreto nº 7.185/2010 Primeiro regulamento do padrão mínimo (hoje revogado).
28/12/2016 Lei Complementar nº 156/2016 Dá a redação atual do art. 48, §6º, da LRF: sistemas únicos de execução orçamentária e financeira, mantidos e gerenciados pelo Poder Executivo, resguardada a autonomia.
05/11/2020 Decreto nº 10.540/2020 Institui o padrão mínimo atual do SIAFIC, revoga o Decreto 7.185/2010 e marca o início dos efeitos para 01/01/2023.
16/08/2023 Decreto nº 11.644/2023 Permite, excepcionalmente e mediante comunicação ao Tribunal de Contas, implantar requisitos conforme cronograma próprio, com última data em 01/01/2025.

Unicidade e integração

Um SIAFIC por ente, base compartilhada, integração sem intervenção humana (art. 1º, §6º; art. 2º).

Transparência em tempo real

Receita e despesa no portal até o primeiro dia útil após o registro contábil (art. 2º, IX; art. 7º).

Segurança e rastreabilidade

Login por CPF, nenhum usuário genérico, registro de cada alteração, banco protegido com log, cópia de segurança preferencialmente diária (arts. 11, 12, 14 e 15).

Conformidade contábil

Plano de contas nacional, partidas dobradas, correção por novo lançamento (arts. 1º, 4º e 5º).

A divisão em quatro eixos é da Ana Smart, para leitura. O decreto não usa essa classificação.

Câmara e Prefeitura no mesmo sistema

A Câmara usa o mesmo SIAFIC da Prefeitura, na mesma base de dados. A autonomia de cada Poder é garantida por perfis de acesso: o Executivo não interfere nos atos do ordenador de despesa da Câmara, e uma unidade gestora não acessa os dados de outra.

Instituto Rui Barbosa, Nota Técnica 01 do GT 3 do ACT 01/2018, 06/05/2021, coordenada pelo Tesouro Nacional e pelo TCE-ES. O SIAFIC é um software único por ente, usado por todos os Poderes, inclusive o Legislativo, com autonomia preservada por regras de acesso.
TCESP, aula de 23/05/2025. Editais únicos abrangendo Executivo, Legislativo e demais órgãos têm sido apreciados de forma favorável em exame prévio, com recomendação de construção conjunta.

Prazos

O decreto vale desde 1º/1/2023. O Decreto nº 11.644/2023 permitiu, excepcionalmente e com comunicação ao Tribunal de Contas, implantar os requisitos conforme um cronograma cuja última data é 1º/1/2025.

Tesouro Nacional, aula do TCESP, 23/05/2025. "Quem não implementou até agora está descumprindo."
TCESP, mesma aula. Segundo o mediador do Tribunal, o município sem SIAFIC "entra no CAUC", o que impede receber transferências voluntárias e recursos de convênio.

SIAFIC: a obrigação que o IEGM mede sem nomear

Nenhum quesito do IEG-M paulista pergunta "você tem SIAFIC?". O TCESP trata o tema num formulário separado de diagnóstico. Mas ao menos 55 quesitos testam condições que o decreto exige. Estes são os que mais importam:

Dimensão Quesito O que pergunta Eixo
i-Gov TI 8.0 A prefeitura possui softwares para gestão de processos? (40 pontos) Integração
i-Gov TI 8.2 Quais sistemas estão integrados ao sistema de contabilidade? Integração
i-Gov TI 8.2.1 e 8.2.2 Nível de integração da dívida ativa e dos precatórios com a contabilidade Integração
i-Gov TI 8.3 Quais bases de dados estão sob gestão direta da prefeitura, sem que empresa terceira possa mudar o dado sem conhecimento do ente? Integração e controle
i-Gov TI 8.4 Quais sistemas possuem controle de acesso à informação? Segurança
i-Gov TI 3.0 Política de segurança da informação formalmente instituída (50 pontos) Segurança
i-Gov TI 3.5 Política de cópias de segurança formalmente instituída (30 pontos) Segurança
i-Fiscal 1.5 e 1.5.1 Segregação de funções e de permissões de acesso, com identificação do usuário e registro das transações Rastreabilidade
i-Fiscal 19.0 e 20.0 Divulgação de receitas e despesas em tempo real Transparência
i-Plan 10.0 Compatibilidade entre PPA, LDO e LOA Integração orçamentária
i-Plan 14.0 a 14.5.1 Controle interno instituído, com autonomia, segregação e plano operativo Controle
i-Plan e i-Fiscal Indicadores do AUDESP Calculados pelo Tribunal a partir do dado contábil enviado no padrão do plano de contas Conformidade contábil

Pontos conforme o Questionário Principal do IEG-M 2025, exercício 2024, do TCESP.

Quando a prefeitura responde "não" a um desses quesitos, está declarando ao Tribunal algo incompatível com o decreto.

Veja todos os quesitos no Guia do SIAFIC · Entenda o IEGM: as sete dimensões e o que o questionário pergunta · O que o IEGM pergunta · As 22 boas práticas do TCESP

Só 136 dos 644 municípios paulistas passam nos cinco sinais mínimos do SIAFIC

66,0% Integração com os cinco estruturantes (425 municípios)
92,1% Base contábil sob gestão direta e com controle de acesso (593 municípios)
90,1% Receita e despesa em tempo real (580 municípios)
81,5% Permissões segregadas com identificação (525 municípios)
37,9% Política de segurança e de backup (244 municípios)
21,1% passam nos cinco 136 dos 644 municípios paulistas atendem simultaneamente aos cinco sinais mínimos (pequenos 14,3%; médios 29,7%; grandes 41,5%).
Distribuição dos 644 municípios paulistas por número de sinais mínimos do SIAFIC atendidos (exercício 2024) Gráfico de barras horizontais em escala sequencial única mostrando quantos municípios atendem de 5 a 0 sinais: 5 sinais: 136 (21,1%); 4 sinais: 247 (38,4%); 3 sinais: 191 (29,7%); 2 sinais: 58 (9,0%); 1 sinal: 10 (1,6%); 0 sinais: 2 (0,3%). 5 sinais (todos) 136 municípios (21,1%) 4 sinais 247 municípios (38,4%) 3 sinais 191 municípios (29,7%) 2 sinais 58 municípios (9,0%) 1 sinal 10 municípios (1,6%) 0 sinais 2 municípios (0,3%) Fonte: Estudo SIAFIC e IEGM da Ana Smart (IEG-M 2025, exercício 2024, 644 municípios paulistas).
Sinais atendidos Municípios Pequenos Médios Grandes
5136566317
42471578010
31911245413
25844131
110820
02200

O teste usa as respostas oficiais do IEG-M 2025, exercício 2024. Cada sinal está ancorado num artigo do decreto. O sinal que mais reprova é segurança: 169 municípios passam em todos os outros e falham só neste.

Aviso importante: O teste é da Ana Smart, não do TCESP. Não é nota, ranking nem certificado. O IEGM é autodeclarado, e os cinco sinais são o mínimo que ele permite observar.

Leia: Sua cidade realmente está cumprindo o SIAFIC? · Leia o estudo completo

Quem controla a contabilidade da sua cidade?

O decreto permite contratar o SIAFIC, mas deixa com o Executivo a definição das políticas de acesso e segurança e exige que quem administra o banco seja identificado por CPF e responda individualmente. Em São Paulo, 42 municípios declaram que a base da contabilidade não está sob gestão direta da prefeitura, seis deles entre os 41 maiores do estado.

TCE-PI, levantamento sobre o SIAFIC municipal, 25/08/2025. "Em 97,94% dos casos (95 municípios), o sistema utilizado foi contratado de terceiros." "Quatro empresas respondem por mais de 60% dos contratos analisados."
Decisão da prefeitura Evidência que a sustenta
Quem acessa o quê Política de acesso aprovada, matriz de perfis, revisão periódica, nenhum usuário genérico
Quem administra o banco Administradores nomeados por CPF, termo de responsabilidade, log de toda intervenção direta
Como o dado é protegido Política de segurança e de backup, cópias executadas, restauração testada
Em que estágio está cada integração Matriz dos estruturantes: papel, arquivo, arquivo com importação, integração plena
O que o contrato garante Cláusulas de base única, trilha de auditoria, testes de conformidade, participação contábil no edital
O que acontece na saída Leitura da Ana Smart: cláusula de entrega da base completa, em formato aberto e documentado, ao fim do contrato
+R$ 7,8 bilhões Se os 644 municípios paulistas provassem o que declaram, o mesmo limite legal de 5% da RCL sustentaria R$ 7,8 bilhões a mais em investimento privado (simulação Ana Smart, premissas declaradas).
Contexto orçamentário (SICONFI 2024): Em 2024, os municípios paulistas que informaram a subfunção 126 ao SICONFI declararam R$ 7,85 bilhões em tecnologia da informação (32,1% em Outros Serviços de Terceiros, Pessoa Jurídica). Esse valor reúne toda a despesa de tecnologia da prefeitura, e não apenas o contrato do SIAFIC.

Leia: SIAFIC, dependência tecnológica e governança · Leia: O SIAFIC é o COSO da prefeitura · Veja a simulação de investimento

O que as boas práticas do TCESP ensinam

O catálogo de boas práticas do IEG-M não tem uma prática sobre SIAFIC. Mas quatro práticas tratam exatamente das condições que o decreto exige:

i-Saúde Águas de Lindóia

Um único software usado por diversos setores da saúde, com informação em tempo real.

Relação com o SIAFIC: O TCESP lista como problema comum do eixo a "ausência de sistema único" e registra como ressalva a "resistência estrutural inicial a um sistema único".
i-Plan Cajati

Controle interno com metodologia de auditoria, matriz de risco, plano operativo anual e relatório quadrimestral publicado.

Relação com o SIAFIC: É o controle interno que verifica, por amostragem, trilhas de auditoria, usuários e integrações.
i-Gov TI Presidente Venceslau

Equipe de TI concursada, paga pelas receitas dos sistemas que desenvolve.

Relação com o SIAFIC: O TCESP registra como ressalva que a prefeitura "mantém contratos com empresas fornecedoras de software, como contabilidade e tributação, o que indica dependência externa remanescente".
i-Gov TI Pedreira

Serviços digitais contratados por pregão eletrônico, planejados no PPA, na LDO e na LOA.

Relação com o SIAFIC: Mostra que terceirizar com planejamento e acompanhamento também leva a i-Gov TI A.
Aviso do TCESP: Segundo o TCESP, a seleção de boas práticas não garante notas altas no IEG-M nem interfere na apreciação das contas. A implementação é critério de cada município.

Leia: SIAFIC e boas práticas do IEGM

Como o DIRECITY GOV ajuda

O DIRECITY GOV não é um SIAFIC e não substitui o sistema contábil do município. É uma plataforma integrada de módulos que busca dados em fontes oficiais (IEGM, ATRICON, plano de governo, SIAFIC, SUS Digital, LGPD, ISO, ODS). No módulo SIAFIC, lê as respostas do IEG-M à luz do Decreto nº 10.540/2020, mostra a base legal de cada quesito, diagnostica o estágio de integração dos estruturantes, vincula boas práticas e organiza o plano de ação e as evidências, com meta, prazo, responsável e status. A plataforma não substitui a decisão do município nem o parecer da procuradoria.

Declaração de interesse: Conteúdo da Ana Smart Solutions, que desenvolve o DIRECITY GOV.

Materiais

Simulador SIAFIC por município

Escolha a cidade e veja quanto ela atende, o que falta provar e o que isso vale para um investidor.

Guia do SIAFIC (PDF e web)

O que é, lei, artigos, Câmara, prazos, IEGM, autodiagnóstico, contratação, mitos.

Estudo SIAFIC e IEGM (PDF e web)

Teste dos cinco sinais em 644 municípios, integração, segurança, dependência, boas práticas, TCE-PI.

Simulação de investimento (PDF e web, anexo do S6)

Quanto vale, para o investidor, um município que prova o que declara.

Perguntas frequentes

O que é SIAFIC?

É o Sistema Único e Integrado de Execução Orçamentária, Administração Financeira e Controle, mantido pelo Executivo e usado por todos os Poderes e órgãos do ente para registrar orçamento, finanças, patrimônio e contabilidade.

O SIAFIC é obrigatório para municípios?

Sim. O Decreto nº 10.540/2020 vale para todos os entes desde 1º/1/2023, e a exigência de sistemas únicos está na LRF desde a Lei Complementar nº 156/2016.

Qual era o prazo do SIAFIC?

Vigência geral em 1º/1/2023. O cronograma excepcional do Decreto nº 11.644/2023, comunicado ao Tribunal de Contas, tinha última data em 1º/1/2025.

A Câmara Municipal precisa usar o mesmo SIAFIC da Prefeitura?

Sim. É vedado ter mais de um SIAFIC no ente. A autonomia da Câmara é garantida por perfis de acesso, e não por sistemas separados.

O SIAFIC é um sistema do Tesouro Nacional?

Não. É um padrão mínimo de qualidade. Cada ente contrata ou desenvolve o seu sistema.

O que é tempo real no SIAFIC?

A disponibilização das informações até o primeiro dia útil seguinte à data do registro contábil.

O SIAFIC pode ter usuário genérico?

Não. Cada usuário é cadastrado por CPF ou certificado digital, e cada alteração fica registrada com CPF, data e hora.

Integrar sistemas por arquivo atende ao SIAFIC?

O decreto exige comunicação sem intervenção humana. A integração por arquivo é um estágio inferior, com risco de erro e fraude.

O IEGM avalia o SIAFIC?

Não pelo nome, mas ao menos 55 quesitos testam condições do decreto, sobretudo no i-Gov TI (blocos 3 e 8), no i-Fiscal (blocos 1 e 18 a 22) e no i-Plan (blocos 10 e 14).

Quantos municípios paulistas cumprem o SIAFIC?

Não há número oficial no IEGM. Pelo teste dos cinco sinais da Ana Smart, só 136 dos 644 (21,1%) declaram respostas compatíveis com os cinco requisitos mínimos observáveis no exercício 2024.

O que acontece se o município não cumprir o SIAFIC?

Na aula do TCESP de 23/05/2025, o mediador do Tribunal citou a inscrição no CAUC, que impede transferências voluntárias. As falhas também podem aparecer na fiscalização e no IEGM.

Uma plataforma de gestão substitui o SIAFIC?

Não. O SIAFIC é o sistema contábil único do ente. Plataformas de governança diagnosticam, planejam e acompanham, sem substituí-lo.

Saiba o que o Tribunal pode ver no seu SIAFIC antes do Tribunal

Um diagnóstico dos cinco sinais do seu município, com a matriz de integração dos estruturantes e a ordem de ataque.