Categoria: SIAFIC e Governança · Série SIAFIC (Artigo 2 de 6)

Sua cidade realmente está cumprindo o SIAFIC? Só 1 em cada 5 prefeituras paulistas passa no teste mínimo

Publicado em 19 out 2026 · Atualizado em 19 out 2026 · 5 min de leitura · Autor: Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions
Governança municipal, SIAFIC e indicadores do IEGM na gestão pública brasileira

Pergunte a qualquer prefeitura se ela tem SIAFIC e a resposta será sim. Há um sistema contratado, há um contrato vigente, há um fornecedor. A pergunta certa é outra: o sistema funciona como a lei descreve?

O Decreto Federal nº 10.540/2020 vale desde 1º/1/2023, e a última data do cronograma excepcional aberto pelo Decreto nº 11.644/2023 foi 1º/1/2025. O prazo acabou. Para saber quem cumpre, a Ana Smart cruzou o que o decreto exige com o que as próprias prefeituras declararam ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

O IEGM não pergunta, mas revela

O questionário do IEGM paulista não tem uma pergunta "você tem SIAFIC?". O TCESP trata o tema num formulário separado de diagnóstico. Mas o IEGM pergunta, quesito a quesito, coisas que o decreto exige: quais sistemas estão integrados à contabilidade, se a receita sai no portal em tempo real, se cada usuário tem permissões próprias, se há política de segurança e de backup.

Quando a prefeitura responde "não" a uma dessas perguntas, está declarando ao Tribunal algo incompatível com o decreto.

Os cinco sinais

Sinal O que se exige Base no decreto
1. Integração Contabilidade integrada a compras e contratos, tributos, folha, patrimônio e dívida ativa Art. 1º, §6º, e art. 2º, II
2. Controle da base Base contábil sob gestão direta da prefeitura e com controle de acesso Art. 1º, §3º, e arts. 11 e 14
3. Tempo real Receita e despesa no portal até o dia útil seguinte ao registro Art. 2º, IX, e art. 7º
4. Rastreabilidade Permissões segregadas, com identificação do usuário e registro das transações Arts. 11 e 12
5. Segurança e cópia Política de segurança da informação e política de backup instituídas Arts. 1º, §3º, 14 e 15

O resultado

Ana Smart, Estudo SIAFIC e IEGM, 19/10/2026, com base no IEG-M 2025, exercício 2024, 644 municípios.

Sinal Municípios que passam %
Integração com os cinco estruturantes 425 66,0%
Base contábil sob gestão direta e com controle de acesso 593 92,1%
Receita e despesa em tempo real 580 90,1%
Permissões segregadas com identificação 525 81,5%
Política de segurança e de backup 244 37,9%
Os cinco 136 21,1%

Ou seja: 508 prefeituras paulistas, 78,9%, declararam ao Tribunal ao menos uma situação que não se encaixa no que o decreto descreve.

O porte pesa. Passam nos cinco sinais 14,3% dos municípios de até 20 mil habitantes, 29,7% dos médios e 41,5% dos com mais de 200 mil.

Onde as prefeituras mais falham

Segurança. Só 289 municípios (44,9%) declaram política de segurança da informação, e 244 têm também política de backup. Há 169 municípios que passam em todos os outros sinais e falham só neste. O controle de acesso existe no sistema contratado; o que falta é a decisão da prefeitura sobre quem acessa o quê, como se guarda a cópia e como se recupera a base. O decreto atribui essa decisão ao Executivo (art. 1º, §3º).

Integração. 219 municípios (34,0%) não integram à contabilidade os cinco estruturantes básicos. E integrar não é sim ou não: entre os 515 que integram a dívida ativa, 140 integram só parte do ciclo, as baixas ou as inscrições.

USP, na aula da Escola Paulista de Contas Públicas do TCESP, 23/05/2025. O professor Ricardo Azevedo descreveu quatro estágios de integração: papel, arquivo digital solto, arquivo com rotina de importação e integração plena. E mostrou, com 840 municípios mineiros que usam o mesmo sistema em níveis diferentes, que ter a funcionalidade não é usá-la.

Nota A em tecnologia não basta

Dos 38 municípios paulistas com i-Gov TI A, 11 falham em ao menos um sinal, seis deles na integração. Planejamento ajuda: passam nos cinco sinais 39,4% dos municípios que declaram PDTIC e 10,5% dos que não declaram. Estrutura ajuda mais: entre os 155 municípios sem setor de TI, só 5 passam.

O que o teste não diz

O teste é da Ana Smart, não do Tribunal. Não é nota, não é ranking e não é certificado. O IEGM é autodeclarado, e os cinco sinais são o mínimo que ele permite ver. Passar neles não prova que a Câmara está na mesma base, que não há usuário genérico ou que o backup volta quando precisa. Não passar não prova irregularidade, mas mostra onde olhar primeiro.

Faça o teste na sua prefeitura

Reúna contabilidade, TI e controle interno e responda:

  1. Os cinco estruturantes estão integrados à contabilidade, sem arquivo intermediário?
  2. A base da contabilidade está sob gestão direta da prefeitura?
  3. Receita e despesa aparecem no portal no dia útil seguinte ao registro?
  4. Cada servidor tem login próprio, permissões segregadas e trilha das operações?
  5. Há política de segurança e de backup, e a restauração já foi testada?

E acrescente três que o IEGM não faz: a Câmara usa a mesma base? Existe algum usuário genérico ativo? Quem tem acesso direto ao banco de dados, e com que registro?

Se alguma resposta for "não" ou "não sei", o município sabe agora o que o Tribunal pode ver depois.

Declaração de interesse: o autor é fundador da Ana Smart Solutions, que desenvolve o DIRECITY GOV. A plataforma tem um módulo que lê as respostas do IEG-M à luz do Decreto nº 10.540/2020, mostra a base legal de cada quesito e organiza o plano de ação e as evidências. Ela não substitui o SIAFIC, a decisão do município nem o parecer da procuradoria.

Leia também: O que é SIAFIC | Estudo SIAFIC e IEGM | SIAFIC, dependência tecnológica e governança | Simulador: como está o seu município | IEGM: o guia completo

Fontes

Saiba o que o Tribunal pode ver no seu SIAFIC antes do Tribunal

Consulte os cinco sinais do seu município no Simulador SIAFIC, solicite um diagnóstico gratuito ou conheça a plataforma DIRECITY GOV.